On Tour #5: Aldeia Casal de São Simão

Quem não gosta de uma boa escapadela romântica – nem que seja por apenas um dia – num sítio tranquilo, então é porque ainda não visitou o local certo para tal. Com certeza têm andado apenas pelas capitais de distrito quando, mais escondidas e relativamente ao alcance de todos, estão aldeias únicas, perfeitas e imaculadas que, quando visitadas, nos fazem ter uma vontade fora do comum de mudar-nos de malas e bagagens para lá. O ar puro com um toque de eucalipto, esse, é divino e as paisagens verdadeiramente mágicas.
Já andávamos há uns tempos com vontade de repetir a dose mas com um twist mais rural e sossegado. Não andamos com tempo para grandes férias e, foi por isso mesmo que, considerámos passar um Sábado de forma diferente num local vivo, com muita natureza e que tivesse uma praia fluvial, no mínimo, única. Queríamos um verdadeiro bálsamo para a alma e encontrámo-lo na Aldeia Casal de São Simão em Figueiró dos Vinhos.

COMO CHEGAR À ALDEIA CASAL DE SÃO SIMÃO:
Tu já sabes, se é para viajar por Portugal, então nós apostamos fortemente nas Estradas Nacionais (EN). Tentamos sempre evitar as auto-estradas por várias razões: portagens, as tão (nada) adoráveis Scuts e monotonia. Ainda que nas EN possas ter o azar de apanhar uma tremenda fila de trânsito, nada sabe melhor do que ver gente, campos e ficar a conhecer nomes de terras tão originais como “Lâmpada”, “Alfafar”, “Rabo de Porco” ou “Terra da Gaja”.
Se, tal como nós, partires do Porto podes ir sempre pela marginal até chegares a Espinho. Lá, segues até entrares na EN 109 (conhecida como Estrada Velha) até apanhares a IC2 em direção a Coimbra. As indicações para Figueiró dos Vinhos, a partir daí, não faltarão mas nada melhor do que seguires estas direções. Avisamos é que demoras cerca de 3 horas até lá, por isso sai cedinho de casa.

O QUE FAZER NA ALDEIA CASAL DE SÃO SIMÃO:
A Aldeia Casal de São Simão faz parte das Aldeias Históricas de Xisto do concelho da Lousã e é, prometemos, a coisa mais adorável que vimos até hoje. As casinhas – em xisto, logicamente – são perfeitas e muito mas muito amorosas.
Quando chegamos à Aldeia, havia meia dúzia de visitantes. Habitantes à janela ou à porta, nenhum. Vimos apenas um casal a lavrar na terra mas o calor era tanto que não estranhámos o silêncio.

Tal como já referimos, a aldeia é mesmo amorosa e, mais do que isso, organizada. Todas as casas estavam impecavelmente bem tratadas, sem zonas decrépitas, em ruínas ou deixadas ao acaso. Todas as casas nos pareceram habitadas já que, em cada janela, cortinas de renda e vasos de flores garridas se multiplicavam a olhos vistos.
De todo o (pequeno) passeio que demos pela aldeia só vimos um restaurante, o Varanda do Casal. Não sabemos o que vale porque não ficámos para jantar.

 Mas, na verdade, o que nos levou até esta aldeia foi uma coisa diferente da que temos vindo a falar, mais propriamente as Fragas de São Simão. Se as cascatas naturais e a água fria e límpida são coisas que te interessam, então não te deixes ficar no sofá apenas a sonhar com o que leste neste post. As Fragas de São Simão são, efetivamente, um must see mais do que obrigatório para os amantes da Natureza e de praias fluviais diferentes. Ainda que os acessos sejam difíceis (tem calma a descer e a subir o caminho até às Fragas), este é um local que vale imenso a pena pela envolvência em que se encontra.

As fragas, para quem não sabe, são escarpas, penhascos, penedos, o que lhe quiseres chamar. Estas, em concreto, são bastante altas e ótimas para a prática de rappel, slide ou escalada. No meio das mesmas, foi recentemente construída a praia fluvial de que te falamos e que apaixona o mais cético. O acesso, desde o estacionamento, é feito a pé. Ainda que não seja perigoso, ao aproximares-te da praia, o mesmo torna-se mais rochoso e um nadinha mais complicado de percorrer pelo que te aconselhamos a levares umas sapatilhas calçadas. O local oferece, além de três zonas de banhos, um pequeno espaço para um piquenique aldrabado, casa de banho e um bar bastante modesto.

Já o local dos banhos é precioso e apaixonante. Ao aproximarmo-nos da água percebemos que, efetivamente, Portugal tem coisas perfeitas. O espaço tem aquelas escarpas gigantes que nos fazem sentir muito pequeninos mas confortáveis. A água – ainda que gelada – é translúcida, limpa e cheia de peixinhos. O terreno é preenchido de pedras lisas e escorregadias pelo que aconselhamos a molhares-te de chinelos. Mesmo sem controlo de nadador-salvador, o espaço não é perigoso para as crianças porque tem bastante zonas com pé e seguras. Não há correntes, remoinhos nem buracos escondidos.
Este é, efetivamente, o sítio certo para passares um dia diferente.

VISITAR FIGUEIRÓ DOS VINHOS E PENELA COM UM JANTAR EM COIMBRA:
Quando saímos das fragas, já era tarde para visitar outra aldeia histórica que nos ficou no goto, o Talasnal. Por isso, metemo-nos no carro e viajámos para Norte, um pouco sem rumo. E parámos, por sorte, na Aldeia de Ana de Aviz antes de chegarmos a Figueiró dos Vinhos. A nossa paragem deveu-se à praia fluvial que a mesma tem. Bem arranjada, limpa e com nadador-salvador, a praia estava à pinha e com ótimo aspeto. Foi com muita pena nossa que não ficámos por lá a mergulhar.

Perdoem-nos os habitantes de Figueiró dos Vinhos mas não gostámos do local. Não sabemos se tivemos azar – por termos ido a um Sábado – mas não vimos viva-alma a passear nem comércio de rua tradicional. Tivemos a sorte de encontrar um estabelecimento aberto para um lanche rápido mas, tirando isso, nada mais acontecia por lá. Daí rumámos em direção a Coimbra (onde íamos jantar) mas antes tivemos que parar na vila de Penela. A mesma, avistada em plena EN, é um mimo pitoresco aos nossos olhos já que se encontra numa colina. Com um castelo no topo é um deleite ver todas as casinhas, brancas, construídas por aí abaixo. Ainda que também não houvesse grande movimento é notório o conforto que se sente quando andamos por lá. As ruelas, estreitas, todas em paralelo, as casas brancas asseadas e arejadas, o largo arranjado e o castelo, no topo, aberto ao público e limpo.

De Penela rumámos a Coimbra. A cidade dos estudantes, do amor de D. Inês de Castro e D. Pedro I e dos fados estava à pinha de visitantes de todos os cantos do Mundo. Era notória a afluência de europeus a quererem visitar tudo quanto pudessem e, mais importante, comer o mais português que pudessem. Consultámos o TripAdvisor para ver o que nos tinha a aconselhar mas a verdade é que não há nada melhor do que estar nos locais para vermos o que realmente nos atrai. E foi numa ruela pequenina, meio escondida que descobrimos a Cozinha da Maria, um restaurante acolhedor e muito português mas com bastante bom gosto e muito bem decorado. Quando entrámos, o restaurante estava à pinha de estrangeiros a devorarem comida típica portuguesa. Foi com alguma sorte – dada a afluência – que prontamente nos sentámos e fizemos o pedido. Fomos servidos de umas azeitonas deliciosas e de uma simpatia estrondosa que não desvaneceu mesmo devido à casa cheia. Trouxeram-nos então o nosso pedido: bochechas de porco no forno com batatas assadas e legumes salteados. De frisar que nenhum de nós, até então, havia provado tal iguaria mas ficámos fãs e, num regresso a Coimbra, esta é uma cozinha que nos voltará a receber.

Portugal está, efetivamente, cheio de coisas boas. E, ainda que seja ótimo alargar horizontes e viajar para fora do nosso país, é também maravilhoso percorrermos, aos poucos, Portugal de lés a lés e descobrirmos porque razão somos tão visitados e aclamados nas melhores revistas internacionais.

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